“The reason anyone would do this is, if they could, which they can’t, would be because they could, which they can’t.”
(Rick Sanchez, episódio “Pickle Rick”, Rick and Morty – S03E03)
Traduzindo livremente: O motivo de alguém fazer isso seria, se pudesse — o que não pode —, porque poderia, o que não pode.
Confuso? Circular? Repetitivo? Pois é… essa frase resume exatamente o que muita gente tem feito com marketing de conteúdo nos últimos anos. Uma tentativa frenética de parecer útil — mas que, no fundo, não entrega nada.
Nos últimos tempos, tenho esbarrado com conteúdos que repetem o mesmo termo dez vezes no mesmo parágrafo, fazem rodeios intermináveis e, ao final, não respondem a pergunta mais simples. Tudo em nome do SEO.
Recentemente, fui buscar algo simples: como declarar ações no Imposto de Renda. Resultado? Textos otimizadíssimos pro Google, mas com zero utilidade. Palavras-chave bem posicionadas, leitura péssima. E nenhuma resposta real.
Conteudismo não é ruim. Mas tem sido mal usado.
Produzir conteúdo estratégico ainda é uma das formas mais poderosas de atrair e ajudar clientes. Mas o que estamos vendo por aí é um vício no ranqueamento. Um fetiche pelo algoritmo. Um festival de palavras vazias — só pra dizer pro Google “olha, tô aqui!”.
Esse é o “conteudismo automático”: um fluxo constante de textos gerados só para alimentar robôs, sem nenhum compromisso com quem está do outro lado da tela.
A 215 Guys já alertou sobre isso:
- Textos longos só por contagem de palavras;
- Repetição forçada de termos;
- Títulos pensados para o crawler, não para humanos;
- Experiência do usuário totalmente ignorada.
A Forbes também reforça: conteúdo mal pensado, mesmo com SEO, mina confiança. As pessoas percebem quando o texto está ali só pra ranquear — e elas saem, simples assim.
E nem o Google quer isso…
Sim, até o Google cansou.
John Mueller, porta-voz oficial da empresa, já alertou: exagerar na otimização pode transformar seu conteúdo em “SEO spam” — um tipo de exagero que, em vez de ajudar, afasta o ranqueamento.
A Stan Ventures completa: em 2025, o keyword stuffing já não engana ninguém. Os algoritmos detectam automaticamente o excesso, penalizam, e ainda comprometem a leitura. Resultado: zero valor.
SEO é ferramenta. Não é estratégia.
Não há nada de errado com o SEO — muito pelo contrário. Ele é uma ferramenta essencial para garantir que seu conteúdo chegue até as pessoas certas. Mas é justamente isso: uma ferramenta, e não o centro da estratégia. Quando o SEO começa a dominar a conversa, o conteúdo perde sua função principal, que é resolver dúvidas, oferecer valor e gerar confiança. Quem atrai é o algoritmo, mas quem retém, converte e fideliza é o conteúdo que realmente ajuda. Se o seu texto não cumpre esse papel, ele não serve — e, cedo ou tarde, nem o próprio Google vai valorizá-lo.
Para refletir:
Pra quem você escreve? Para o algoritmo ou pra pessoa que confiou em você?
Essa escolha define se a sua marca está construindo audiência — ou apenas distraindo a indexação.
Essa resposta define o tipo de marca que você está construindo: Uma que educa, ou uma que irrita.

